Walter Alves e a política das conveniências, traições, rupturas , alianças inexplicáveis, e em uma tentativa insana de sobrevivência na política a qualquer custo

A trajetória política de Walter Alves (MDB), o atual vice-governador do Rio Grande do Norte, volta ao centro do debate. Em meio a mudanças de alianças e novos posicionamentos, Waltinho tenta redesenhar o próprio caminho político. A questão que fica é: até onde vai a coerência de um projeto político quando os aliados de ontem se tornam os adversários de hoje?

Filho do ex-senador e ex-ministro do presidente Lula, Garibaldi Alves Filho, Walter carrega um sobrenome tradicional na política potiguar. Em 2016, pai e filho votaram a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, uma decisão que marcou profundamente aquele período da política nacional.

Anos depois, Walter Alves estabeleceu uma aliança com a governadora Fátima Bezerra (PT), e chegou à vice-governadoria do Rio Grande do Norte, com a força política da atual governadora do estado. A aproximação com o grupo governista abriu espaço para uma nova etapa de sua trajetória.

Mas foi justamente essa aliança que passou a ser questionada diante dos acontecimentos mais recentes.

Em ano eleitoral, Walter anunciou que não permaneceria no governo, caso Fátima renunciasse, frustrando a expectativa de que sua permanência no cargo abriria caminho para que Fátima Bezerra disputasse uma vaga no Senado. A mudança de posição provocou questionamentos sobre os compromissos políticos assumidos anteriormente e sobre os interesses que orientaram a decisão.

Fátima, por sua vez, optou por permanecer no governo. Entre os fatores envolvidos estava a falta de garantias políticas para a continuidade do projeto governista, especialmente em relação à candidatura de Cadu Xavier ao Executivo estadual em uma eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa.

O rompimento entre os antigos aliados ganhou novos contornos quando Walter passou a apoiar um projeto político adversário ao da governadora. A disputa deixou de ser apenas uma divergência estratégica e se transformou em um embate sobre alianças, compromissos e interesses eleitorais e pessoais.

O resultado das urnas em 4 de outubro acrescentou um novo capítulo à história: Walter Alves não conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa. Já o grupo político de Fátima Bezerra obteve representação parlamentar, com a eleição de deputados estaduais e federais, além de um representante para o Senado, conforme os resultados eleitorais.

Agora, ao declarar apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, Walter sinaliza mais uma mudança relevante em seu posicionamento político. A decisão reforça o distanciamento em relação ao campo político que o levou à vice-governadoria e reacende o debate sobre a consistência de suas alianças.

Na política, mudar de posição faz parte do jogo. Mas toda mudança tem um preço: o eleitor tem o direito de cobrar explicações, comparar discursos e avaliar a distância entre as promessas de ontem e as escolhas de hoje.

Para Walter Alves, o desafio vai além de encontrar um novo palanque. É explicar ao eleitor qual projeto político pretende representar e como pretende conciliar suas alianças passadas com as decisões que toma agora.

No fim, a pergunta permanece: trata-se de uma reorientação política legítima ou de uma estratégia para preservar espaço em um cenário de alianças cada vez mais disputadas? Neste cenário que a família Alves gema a cada eleição perdendo espaços. A resposta dependerá dos fatos, das justificativas apresentadas e, sobretudo, da avaliação do eleitor.

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